LATINITY 2019: SAN JOSÉ, COSTA RICA

“Boa tarde a todas e a alguns poucos” – Diante de um auditório com mais de 500 mulheres e um punhado de homens, essa foi a frase de apresentação no encerramento do LATINITY, evento ocorrido dias 6 e 7 de Setembro em San José, Costa Rica

Latinity é uma conferência latino americana inspirada na Grace Hopper Celebration , a maior conferência de mercado que celebra as mulheres em computação. O evento reuniu em 2018 mais de 20.000 pessoas de 78 países. Nas palavras de uma de suas idealizadoras: “Nosso evento é como a (conferência) Grace Hopper, mas na América latina, com nosso ‘sabor latino’, nossa realidade e problematicas.”

LATINITY é descrito como ‘um lugar onde mulheres latino americanas apaixonadas por tecnologias se encontram.’ Por 2 dias as participantes aprendem, refletem, trocam experiências e propostas baseadas em tecnologias e tem a oportunidade de conhecer outras mulheres latinas que dividem os mesmos interesses.

“É um espaço para apresentar avanços em nosso trabalho, realizar workshops, compartilhar resultados de pesquisas, fazer amizades, apoiar-se como mulheres na região da América Latina. É um lugar para aprender, ensinar, construir e fortalecer laços de amizade e carinho. É também um espaço para análise crítica do papel da tecnologia em nossa região da perspectiva de nós mesmas e um lugar para propor soluções para os principais desafios e riscos que identificamos na sociedade digital. É um espaço para o intercâmbio com mulheres líderes da região sobre questões de gênero em Ciência, Tecnologia, Arte, Engenharia e Matemática (STEAM).”


“Não queremos mais mulheres na tecnologia para que tenha mais mulheres na tecnologia. Queremos mais mulheres na tecnologia para que tenha mudanças na tecnologia.” Kemly Camacho – Sula Batsú


Fonte: Latinity

A conferência existe desde 2015 e já foi hospedada pelo Chile, Peru e Colômbia. Este ano, o país anfitrião foi a Costa Rica, pela primeira vez trazendo a conferência para a América Central e com número recorde de participantes: mais de 500, sendo 120 participantes bolsistas cuja presença foi financiada integralmente por vários patrocinadores.

Em todas as atividades ou no grande auditório era possível ver mulheres de diferentes países, culturas e muita diversidade. Apesar da maior parte das mulheres e meninas participantes serem jovens, havia muitas bolsistas de regiões rurais da Costa Rica, mulheres indígenas e mulheres campesinas. Essa troca entre mulheres tecnologistas e mulheres não-tecnologistas é um dos pilares defendidos pela organização que hospedou o evento em Costa Rica; a Sula Batsú.


“Mulheres tecnologistas devem se juntar com mulheres não tecnologistas. Com mulheres na agricultura e mulheres indígenas. Somente dessa forma teremos uma tecnologia que reflita a realidade de diversas mulheres.” – Kemly Camacho – Sula Batsú


Carla Jancz foi convidado pela APC em nome do Instituo Bem Estar Brasil para participar de duas atividades em parceria com a organização Colnodo, da Colombia:

  • Um painel multicultural sobre redes comunitárias para troca de experiências do Brasil, Colômbia e Honduras
  • Um workshop técnico sobre rede Mesh e a FUXICO, um projeto brasileiro de rede autônoma feminista que foi traduzido para o espanhol para essa apresentação

Ambos os painéis foram muito interessantes e trouxeram pontos de conexões entre projetos de distintos países latinos. A participação em outros workshops e apresentações também foram muito enriquecedoras, onde as presentes puderam conhecer iniciativas de países latino americanos como Colombia, Costa Rica, Equador, Honduras, Nicarágua e Guatemala.


“Houve um momento no projeto que foi muito lindo quando mulheres indígenas rurais da Guatemala subiram suas histórias para a Wikipedia em sua própria língua. Temos 22 etnias na Guatemala e 22 idiomas. “ – Relato sobre projeto TICas que desenvolve trabalhos na área de tecnologias digitais e de comunicação com meninas e adolescentes.


Em nosso painel de redes comunitárias, perguntaram-nos o que acreditamos ser a coisa mais importante em um projeto como este. Acreditamos que as respostas apresentadas podem ser divididas para toda a comunidade:

  • Formação e continuidade: configurar a rede é apenas o primeiro passo.
  • Flexibilidade: Não se pode entrar em um projeto de rede comunitária com uma mente fechada
  • Força de vontade: trabalho duro e resiliência

“Para mim o mais importante de um projeto de redes comunitárias é ser flexível. Muitas vezes estávamos em um treinamento no campo, capacitando as mulheres a operarem os equipamentos e tínhamos que parar durante uma prática do dia para a comunidade rezar por chuva. Era seu costume e tínhamos que respeitar. Depois as mulheres nos agradeceram, dizendo que fomos os únicos forasteiros que respeitaram seus costumes. Isso valeu muito.” – Rádio Azacualpa – Honduras

Encontro de Redes Comunitárias inserido na XI Mostra de Extensão – UENF/IFF/UFF/UFRRJ.

ENCONTRO DE REDES COMUNITÁRIAS
ACESSO À INTERNET COMO DIREITO HUMANO

Carla Jancz, Marcelo Saldanha, Nilza Franco Portela, Thiago Paixão
IBEBrasil – Instituto Bem Estar Brasil

Redes Comunitárias, Computação, Serviços Eletrônicos, Telecomunicações, Economia Solidária, Acesso, Internet, Regulamentação, Sustentabilidade.

Resumo:

O acesso à informação, liberdade de expressão e privacidade são direitos humanos fundamentais, porém mais da metade da polução brasileira, sobre tudo os mais pobres, ainda não tem acesso à internet banda larga fixa, impedindo o acesso aos serviços sociais básicos essenciais para o exercício pleno da cidadania.

Antena instalada na comunidade de Marrecas. FOTO: Acervo Pessoal

Objetivo

Como garantir a plena cidadania através de um cenário tão adverso? Como superar os desafios atuais para garantir universalização do acesso como direito fundamental? Quais são as práticas de sustentabilidade de projetos da universalização de acesso com maior sucesso?

Para responder essas e outras questões, o evento “Encontro de Redes Comunitárias – Acesso à Internet como Direito Humano” abordará o tema de Redes Comunitárias como modelo sustentável e viável de expansão de infraestrutura de telecomunicação para universalização de acesso com autonomia, tecnológica e sustentabilidade econômica. O principal objetivo do evento será realizar uma capacitação técnica mínima que permita que qualquer pessoa possa iniciar uma rede livre autônoma usando redes em malha (mesh) em seu território (24/10). Realizar um debate sobre os desafios da universalização do acesso para que novas práticas, ações e demandas de incidências políticas sejam compiladas para futuras ações do IBEBrasil e demais organizações da sociedade civil ligadas ao tema (25/10).

Formação técnica e debate regulatório:

O evento ocorrerá nos dias 24 e 25 de Outubro, sendo que o primeiro dia se destinará à capacitação técnica de criação de Redes Comunitárias e serviços digitais locais através de oficinas (vide abaixo link de inscrição), enquanto que no segundo dia será aplicada uma dinâmica de Open Space Technology para fomentar o debate em torno dos desafios para o acesso à informação, liberdade de expressão e privacidade como direitos fundamentais, bem como, sobre autogestão, sustentabilidade e marco regulatório adequado para desenvolvimento de Provedores Comunitários.

Imersão de capacitação em Provedores Comunitários na Escola Viva Olho do Tempo.
João Pessoa/PB – FOTO: Thiago Nozi

Programação


Dia 24/10 Mini Curso
09:00 às 12:00h Recepção – Café da Manhã
Introdução a Redes Computacionais Comunitárias
Fuxico – Rede Livre Feminista
12:00h às 14:00h Braunch
14:00 às 17:00h Redes Wifi descentralizadas: projeto LivreRouter e LibreMesh
Como construir sites e blogs com WordPress
Dia 25/10 Evento
09:00 às 12:00h Recepção – Café da Manhã
Abertura
Tema: Sustentabilidade e Autogestão de Redes Comunitárias
Grupos de Trabalho
12:00h às 14:00h Braunch
14:00 às 17:00h Tema: Marco Regulatório para Políticas de TICs
Grupos de Trabalho
Apresentação das propostas dos Gts
Sistematização das Propostas
Encerramento
LOCAL: Mini Auditório do CCH – UENF

Confira a programação completa do dia 22/10 ao dia 30/10.

Para se inscrever nos eventos do Encontro de Redes Comunitárias, acesse os formulários abaixo:

Localização

Apoio:

ITEP – Incubadora Tecnológica de Empreendimentos Populares
UENF – Universidade Estadual do Norte Fluminense
APC – Association for Progressive Communications

Oficina de matriz de escolha de tecnologias – Casa dos meninos

No dia 17 de Agosto o instituto Bem Estar Brasil foi convidado a facilitar uma dinâmica que marcou o início do projeto de formação continuada na Casa dos meninos. Para nos ajudar nessa tarefa, estudamos a metodologia de Matriz de escolha de tecnologias que nos foi apresentada pelo coletivo Redes AC em nossa visita a Cherán.

Nossa atividade começou na cozinha. Assim que chegamos, Fátima, a diretora financeira e desenvolvedora web da casa nos recebeu picando cebolas; começava a preparar o almoço. À medida que cada participante chegava para a reunião, mulheres e homens arregaçavam as mangas e se encaixavam em algum lugar da cozinha. Todas as tarefas foram rapidamente realizadas: passar café, chá de gengibre, picar legumes, fazer o arroz, feijão, frango, lavar louça, abre e fecha a geladeira… duas vizinhas chegaram com uma mistura pronta… Em meia hora havia almoço para mais de 20 pessoas.

Almoçamos todos juntos, os 15 participantes da atividade e outros moradores do bairro que se uniram à comilança. Durante o almoço a vizinha Maria, ex assistente social e presidenta da Casa dos meninos, dividiu relatos alegres de décadas passadas. Contou de meninos que frequentaram o orfanato nos anos 80 e que por vezes visitavam a casa. “Eu plantei aquela árvore com o Silva” ou “eu ajudei a fazer aquele banco”, diziam eles nesses momentos de recordação.

Sala de reunião Cleodon Silva – em homenagem ao influente líder sindical Brasileiro

Para nos ajudar a ficarmos ativos depois do almoço a educadora Cláudia puxou uma divertida dinâmica de aquecimento. Em meio a risadas e sapatos trocados, iniciamos a atividade daquela tarde.

O exercício envolveu todos os responsáveis pelo projeto de formação continuada em redes comunitárias, um grupo muito distinto e dedicado. De um lado estava presente a atual equipe fixa da casa e moradores interessados em apoiar o projeto, incluindo os 3 monitores bolsistas patrocinados pelo Instituto Bem estar Brasil. De outro lado estavam voluntários de outros bairros, 3 professores das frentes de audiovisual e desenvolvimento de software e demais amigos da Casa dos meninos.

O primeiro passo da Matriz de escolhas de tecnologia envolvia o resgate da memória da casa. Memória é um tema muito presente numa organização com mais de 50 anos de história, que nasceu como um orfanato de meninos e passou por tantas transformações. Não há um dia de atividades que esse passado de assistência social não seja mencionado, principalmente o nome de Cleodon Silva, ex-colaborador da casa e responsável por trazer a perspectiva da tecnologia para o trabalho com a juventude.

Considerando o pouco tempo que teríamos, propusemos uma linha do tempo resumida. Os participante escreveram 3 post its. Eles podiam escolher entre duas cores: azul para lembranças da Casa dos meninos e amarelo para momentos pessoais de transformação envolvendo tecnologia. Cada pessoa apresentou suas memórias e as colocou no ano em que pertenciam na linha do tempo.

O objetivo da atividade não foi mapear todas as atividades da Casa, mas contextualizar alguns momentos que os participantes consideravam vitais e iniciar o diálogo entre os voluntários/participantes externos com a comunidade.

Depois começamos a olhar para a Matriz de seleção de tecnologia, metodologia construída por Redes AC em seu trabalhos de comunicação com povos indígenas do México. O primeiro passo dessa metodologia é olhar para o presente; quem somos. Onde estamos. O que fazemos.

Dividimos em 3 grupos mistos combinando moradores da comunidade e convidados. Esse foi um importante momento de escuta para os voluntários, onde poderiam aprender sobre aquele território, suas características e desafios.

Grupo de discussão sobre o ponto de partida da comunidade

A Casa dos meninos é uma instituição urbana na periferia de São Paulo, por isso algumas categorias como ‘idioma’, ‘tradições’ e ‘biodiversidade’ estavam menos evidentes que em outros contextos. O jardim São Luis, bairro onde a Casa está inserida, divide muitas características com as outras periferias de São Paulo. São essas:

  • Grande concentração de pessoas (20.000 em 1km quadrado)
  • Casas originárias de ocupações
  • Violência urbana
  • Geografia com muitos morros
  • Presença de vários estilos de músicas como funk, forró, Rap, entre outros.

Também várias características particulares foram levantadas pelos moradores:

  • Uma grande presença de imigrantes do Nordeste, especialmente PE e BA
  • Relação mais próxima com movimentos sociais
  • Maior violência urbana com adolescentes
  • Falta de espaços de convivência em comparação com outros bairros, especialmente para jovens e idosos
Fase 1: Ponto de partida

O próximo passo foi nos reunirmos em grupo para conversar sobre os sonhos e objetivos da Casa dos meninos.

O que sonhamos?

“ A construção de uma referência jovem e comunitária, apropriada das novas tecnologias e sensibilizada para uma ação política/social. Uma indústria de construção de sentidos novos. A valorização do potencial individual e coletivo. Que a Casa dos meninos continue sendo um espaço de construção, de aprendizagem e de oportunidades.”

Fase 2: Como escolhemos a tecnologia?

O último passo foi pensar no projeto da rede de intranet como uma ferramenta para ajudar a alcançar esse sonho. É de entendimento dos participantes que o projeto de rede de intranet contribuiria com essa proposta, pois representa a “construção de um espelho sobre a comunidade que a reflete”. Com duas frentes integradas; técnica e política, seus objetivos principais foram apresentados como:

  • Colocar a rede em pé
  • Formação de jovens com pouco contato em serem produtores de tecnologia
  • Trabalho dos monitores como facilitadores e responsáveis por ajudar na documentação

A principal dificuldade antecipada nesse projeto foi como integrar as duas frentes com o objetivo de criar um uso da intranet que faça sentido. Algumas soluções propostas para isso foram:

  • Conteúdo relevante na rede
  • Afeto
  • Sensibilidade às demandas da juventude
  • Ter espaços de diálogo e formação entre os tutores/facilitares

Impressões dos participantes

Na avaliação final do exercício os presentes mencionaram que 4 horas foi pouco tempo para esse exercício e que sua fase final foi corrida. Porém todos relataram estarem inspirados para os desafios do projeto e agradecidos de fazer parte daquela equipe.

Nós do Instituto Bem estar Brasil ficamos muito felizes com o convite para facilitar essa atividade e ansiosos para os trabalhos de formação continuada com a juventude da Casa dos meninos!

“Como dois e dois são quatro
sei que a vida vale a pena
Embora o pão seja caro
e a liberdade pequena”

Ferreira Gullar

Semillero, um dialogo de saberes

O Instituto Bem estar Brasil teve o privilégio de participar da primeira edição do Semillero de Redes comunitárias, um espaço de articulação entre pessoas que trabalham com comunicação e telecomunicações indígenas no México. Esse evento foi realizado pelos coletivos Altermundi https://www.altermundi.net/ e Redes AC https://www.redesac.org.mx/.

Foto: Carla Jancz

O primeiro Semillero foi realizado de 19 a 24 de junho em Cherán K’eri, Michoacán, México, um local descrito pelos participantes como ’emblemático e nutritivo’. Sem dúvida foi exatamente o que sentimos nesse lugar que tem uma história de luta tão inspiradora. Cherán era um território relativamente desconhecido até 2011, ano em que iniciou uma luta por defesa de seu bosque. Organizados em Fogatas (fogueiras) em cada bairro, a população local liberou-se da ameaça do crime organizado que pilhava as florestas. Essa organização comunitária culminou em outra ação de transformação social e a cidade liberou-se de partidos políticos, passando a se caracterizar como um território autônomo.

A iniciativa de construção da rede comunitária em Cherán parte de um coletivo de rádio comunitária, a Radio Fogata. http://radiofogata.org/ Composto majoritariamente por mulheres, a rádio é descrita como um espaço “onde sua voz arde como fogo”.

“A rádio comunitária é uma comunicação alternativa aos meios de comunicação de massa. Assim nos é dada a oportunidade de dizer nossa palavra, a possibilidade de nos organizarmos e contar nossa história”.

A rádio propõe a criação da rede de intranet XAMONETA, nome que significa: ‘Eco’ na língua indígena mais falada da região; purepecha. A rede tem como objetivo dar apoiar à recompilação de saberes de Cherán como uma ferramenta de continuar e fortalecer a luta política e a retomada de valores tradicionais. A criação de um arquivo da comunidade é estratégica para alcançar o objetivo de uma revitalização linguística e de prover uma ‘Conectividad con sentido’.

Foto: Carla jancz

O inicio do Semillero foi uma roda de apresentação com mais de 50 pessoas. O evento contou com a participação de diversos grupos de todo o México, com o grupo Altermundi (Argentina), Colnodo (Colombia) e dois grupos brasileiros; o Instituto bem estar Brasil e a Colab.

Na apresentação uma das perguntar feitas foi quais idiomas os presentes falavam. Apesar de a língua comum a quase todos ser o espanhol, muitos falavam línguas indígenas do México como o purepecha. Também apresentaram brevemente as iniciativas de telecomunicação de suas comunidades; rádios comunitárias, GSM livre e embriões de redes comunitárias. Para nós foi interessante nessa dinâmica de apresentação ver a diversidade de idiomas e protocolos interconectados em uma mesma rede de pessoas.

Alguns participantes eram graduados das duas primeiras turmas do Techio comunitário https://techiocomunitario.net/, um curso de formação em telecomunicações executado no México nos anos de 2017 e 2018. Estes puderam reforçar os conhecimentos adquiridos no workshop “Desenho Participativo de Intranets Comunitárias”, facilitado por REDES A.C. Já as pessoas da comunidade de Cherán, administradores de redes de telefonia celular comunitária e rádios comunitárias, que não tinham esse contato prévio com redes digitais participaram do workshop “Introdução às redes comunitárias” de AlterMundi.

No workshop de desenho comunitário durante 3 dias foi desenvolvido o trabalho de sonhar e conceber uma intranet comunitária. Uma proposta alinhada com a expectativa da rede Xamoneta de criar uma memória vida de Cherán para armazenar conhecimentos locais. Uma das estratégias para isso foi o exercício de matriz de eleição e apropriação de TiC, cujo objetivo era eleger as tecnologias a serem utilizadas a partir de um diagnóstico do próprio território, de quem somos, qual nossos sonhos e estratégias para alcançá-los

“Sem isso” – explicava o facilitador de Redes – “Os outros processos, software livre, terabytes, etc…terminam antes de começar.”

Foto: Carla jancz

Durante a atividade era visível o reforço de outros conceitos de união e comunidade, como o YEKNEMILIS – buen vivir do povo nahua totonaku – Um princípio norteador com muita sinergia com as iniciativas ali presentes e com a realidade das comunidades representadas. O foco na linguagem e no processo coletivo foi prioritário em toda a oficina: A rede comunitária não pertence a uma pessoa ou a uma organização facilitadora, e sim à comunidade.

Em paralelo, foi realizado a instalação de 3 nós do LibreRouter pela cidade, um roteador de hardware livre desenvolvido por Altermundi para uso em redes comunitárias https://librerouter.org/. Xamoneta foi a primeira rede comunitária formada unicamente por esse modelo de roteadores.

Foto: Karla Velasco

Como parte do apoio técnico para o exercício de desenho comunitário, os grupos do Brasil e Colombia ajudaram na instalação e treinamento de um servidor com sistema operacional de software livre YUNOHOST https://yunohost.org/. Foram instalados e personalizados 3 serviços locais: WordPress para criação de sites, NextCloud para compartilhamento de arquivos e um jogo, os três disponíveis na intranet local e com administração das integrantes da rádio.

A última atividade do Semillero foi uma apresentação das mulheres da Rádio Fogata. Elas compartilharam um pouco da história do coletivo e o resultado do desenho de sua intranet. Também os planos futuros de se estabelecer como uma alternativa de entretenimento consciente e cooperar com outros produtores de conteúdo comunitário local como a TV Cherán e grupos de cinema comunitário.

Foto: Carla Jancz

Princípios norteadores da intranet XAMONETA:
-Compromisso
-Comunidade
-Caminhar junto com a comunidade
-Respeitar a comunidade
-Reciprocidade
-Diálogo
-Consenso
-Buen vivir

O Instituto bem estar brasil agradece a oportunidade de participar desse intercâmbio, a hospitalidade das pessoas de Cherán e a oportunidade de trocar experiências entre redes comunitárias da américa latina.

Redes comunitárias urbanas – Novas conexões entre permacultura e tecnologias livres na perifa

Horta di gueto é um coletivo  de Taboão da Serra, na periferia de São Paulo, cujo objetivo é levar os saberes e as práticas da permacultura e da agroecologia para sua comunidade. A proposta do coletivo é promover a visão, o trabalho e a colaboração da periferia, buscando uma forma mais autônoma e sustentável de se viver.

Foto: Coletivo Candearte

O coletivo ocupa uma praça em Taboão da Serra e realiza atividades de permacultura, um movimento que surgiu em reação ao agronegócio e mistura técnicas da sabedoria rural com novas tecnologias. Alguns exemplos de práticas promovidas pelo coletivo são: jardinagem agroecológica, composteira comunitária, oficinas de pintura com tinta de terra, brincadeiras, atelier aberto, rodas de conversa e uma feira agroecológica mensal com alimentos das agricultoras quilombolas do Vale do Ribeira.

Taboão da Serra é um bairro da periferia de São Paulo com aproximadamente 250.000 habitantes.

Dia 23 de Maio foi o início de uma parceria entre o coletivo e o Instituto Bem estar Brasil; um bate-papo sobre redes comunitárias que aconteceu na casa de Araken, um dos principais membros da iniciativa. É lá que o coletivo se reúne e trabalha entre outras coisas na preparação de bambus para bioconstrução; uma de suas especialidades.

Foto: Carla Jancz

O objetivo inicial dessa rede comunitária seria levar internet à praça ocupada pelo coletivo, e utilizar um sistema de tickets com valores acessíveis para que a comunidade realize esse acesso.

Segundo Araken, a internet seria uma ferramenta importante para fortalecer relações com os moradores da comunidade. Esse acesso gerido de forma comunitária seria uma ferramenta para ajudar novos empreendedores periféricos a divulgarem seu trabalho. Essa é uma das propostas da sede do coletivo: estar aberta a quem quer desenvolver talentos locais.

Foto: Carla Jancz

Durante a apresentação do que são redes comunitárias, o coletivo também demonstrou interesse na possibilidade de usar serviços além da internet, que poderiam ser gratuitos para todo o bairro. Serviços locais como rádio e streaming de vídeo poderiam envolver uma população mais jovem e atrair mais pessoas da comunidade para os cursos de formação realizados pelo coletivo.

Foto: Horta di gueto

O Horta di gueto é uma comunidade urbana que promove autonomia e a maneira tradicional de como a perifa colabora, trabalha e cria a vida em conjunto, uma iniciativa que para nós tem muita sinergia com a Casa dos meninos. Mais um “nó” na rede de pessoas redesenhando comunidades urbanas através das tecnologias agroecológica e digital.

Que bons frutos nasçam dessas conexões!

Para saber mais sobre o coletivo Horta di gueto:

https://www.facebook.com/hortadigueto
https://www.elchoq.com.br/2019/01/horta-di-gueto.html
https://manoelameyer.com.br/portfolio/horta-di-gueto