Redes Comunitária e as mulheres

Aline Lima

As mudanças que não aconteceram e os problemas acentuaram

Mulheres da Comunidade de Marrecas no Encontro de Redes Comunitárias inserido na XI Mostra de Extensão – UENF/IFF/UFF/UFRRJ. (Arquivo-IBEBrasil)

O ano de 2020 foi marcado pelo inicio da pandemia da Covid-19, onde a vida de todos foram drasticamente afetadas. Esse seria o mesmo ano da minha mudança para Marrecas, no Norte Fluminense, para dar continuidade nos trabalhos na rede comunitária, o que não ocorreu devida as barreiras sanitárias.

No mês de fevereiro desde ano foi publicado o artigo Trabalho Doméstico e falta de liderança das mulheres nas redes comunitárias de minha autoria que relata os aspectos agravados pela pandemia da Covid-19, com foco nas mulheres, e o papel que elas exercem como os cuidados do lar, limpeza, alimentação, educação dos filhos e muitas das vezes a dupla jornada, ou em trabalhos pouco remunerados e vítimas da violência doméstica. Não houveram mudanças nesse período. Ações e medidas de políticas públicas pouco fazem para mitigar o machismo cultural, a exploração do capital da mão de obra que chega ao mercado pronta com os cuidados das mulheres.

Sem conexão estão mais vulneráveis para ter acesso ao auxílio do Governo.

Com efeito a fome e desemprego aumentaram e com o alto custo de vida o acesso à internet não pode ser incluso, mesmo que muito importante, nas despesas da maioria das famílias, que apelam para o retorno das aulas por falta de condições alimentares para os filhos. Em algumas regiões foram selecionados alunos de baixíssima renda para retornarem às aulas com a intenção de oferecer a merenda escolar para auxiliar esses alunos e a sua família. O que se debate agora é a segurança alimentar colocando a pauta do acesso à internet em segundo plano.

A crise política instaurada pelo governo atual, os casos de corrupção na compra de vacinas para o país, corroboram para o atraso da campanha de vacinação e o Brasil é líder de mortes diárias por Covid-19. A efetivação da campanha de vacinação,Covid-19, está seguindo com certa dificuldades devida a crise política instaurada pelo governo atual e casos de corrupção na compra de vacinas para o país.

As necessidades básicas e a desigualdade no Brasil se acentuaram colocando em cheque sonhos e prospecções de um futuro melhor para milhares de pessoas que se encontram desconectadas. Sem conexão estão mais vulneráveis para ter acesso ao auxílio do Governo.

Em algumas regiões foram selecionados alunos de baixíssima renda para retornarem às aulas com a intenção de oferecer a merenda escolar para auxiliar esses alunos e a sua família.

As políticas de universalização de acesso foram amplamente discutidas para agilizar esse processo de democratização e inclusão digital, não obtiveram o resultado esperado para amenizar a falta do estudo escolar por grande parte da comunidade periférica e rural. As escolas estão paralisada, um dos passos que colaboram com o ensino seria o ensino remoto e para isso é necessária a internet.

A rede comunitária de Marrecas trouxe vários benefícios à comunidade, desde do acesso ao auxílio emergencial, telemedicina, compras Delivery na região, estudo de forma digital para os alunos da rede pública de ensino. O emprego direto de um técnico comunitário e outros empregos indiretos devido o uso da conexão por ter um baixo custo para os moradores. A pauta das redes comunitárias que aguardam a sua regulamentação e investimentos tem colaborado para mitigar a desigualdade do país, tornando assim um direito fundamental para todos.